domingo, 1 de outubro de 2017

Ensino Técnico a Distância: o novo paradigma a ser quebrado


Não é novidade para ninguém que o Brasil vive hoje um grande apagão na mão de obra qualificada para a indústria, comércio e serviço. Apesar da recente crise econômica e política, ainda é possível se observar inúmeros postos de trabalho que ficam ociosos por não haver gente qualificada para ocupá-los. Mas você deve estar se perguntando: e o Pronatec? Não serviu para reduzir esse desequilíbrio na balança vagas-candidatos do mercado de trabalho? Para termos uma noção do que representou o Pronatec, vamos comparar alguns números:
  • Quantidade de matrículas em cursos técnicos entre 2011 e 2014: 2,3 milhões;
  • Quantidade de matrículas em cursos de qualificação profissional: 5,8 milhões;
  • Total de matrículas proporcionadas pelo Pronatec de 2011 a 2014: 8 milhões.
Os números impressionam? Então vamos ajudar você a desmistificá-los. Primeiramente, apesar de não haver um estudo formal de avaliação do programa por parte do Governo Federal, sabe-se que a evasão média das turmas do Pronatec beirava os 30% (considerando desistências e reprovação).

Portanto, estamos falando de 5,6 milhões de concluintes das turmas do Pronatec, sendo 1,6 milhão o número de formandos dos cursos técnicos de nível médio. Desses, acredita-se que cerca da metade dos egressos conseguiram ser aproveitados nas vagas requisitadas pelo mercado de trabalho. A outra metade não conseguiu desenvolver as competências e habilidades necessárias ao exercício das profissões.

A razão para isto? Simples: qualidade do ensino. De repente, centenas de faculdades e universidades, que jamais haviam oferecido vagas em cursos técnicos de nível médio, viram-se diante da oportunidade de, rapidamente, contratarem professores e desenvolverem material didático para tal. A rapidez com que isto aconteceu comprometeu seriamente a capacidade de se oferecer um ensino técnico de qualidade.

Por fim, chegamos ao número de aproximadamente 800 mil novos profissionais de nível técnico injetados no mercado de trabalho. Ainda parece interessante, não é? Mas será que este número consegue suprir a demanda reprimida de técnicos no Brasil? Para que se possa ter uma ideia, vamos considerar a Alemanha, com seus quase 83 milhões de habitantes. Lá, 52% da população possui nível técnico de formação, ou seja, estamos falando de mais de 43 milhões de técnicos atuando no mercado de trabalho germânico.

No Brasil, a situação é dramática: antes do Pronatec, pouco mais de 6% da população brasileira portava um diploma de nível técnico, o que representava cerca de 12 milhões de profissionais. Os 800 mil novos técnicos formados pelo Pronatec praticamente não alteraram este percentual, que nos mantém com os mesmos 6% de técnicos atuando no mercado de trabalho brasileiro.

Face a este cenário, qual a demanda reprimida de técnicos no Brasil? A resposta é simples: precisamos injetar 95 milhões de novos técnicos no mercado de trabalho brasileiro se quisermos nos equiparar à Alemanha, atingindo os mesmos 52% da população. Eis aí o novo desafio da Educação Profissional.

Mas como atingir esses números considerados estratosféricos em um país com dimensões continentais? Agora sim - chegamos ao novo paradigma a ser quebrado: Ensino Técnico a Distância de qualidade. Sem isto será difícil ou impossível atingirmos esta meta.

Mas por que ensinar uma profissão técnica a distância é um paradigma? Desde 2001, quando houve as primeiras demandas de autorização de cursos de graduação a distância no Brasil, a EaD começou a trilhar um árduo e desafiador caminho: conquistar estudantes acostumados, até então, com a transmissão de conhecimento unilateral professor-aluno. A realidade das salas de aula foi paulatinamente deslocada para as salas virtuais dos ambientes eletrônicos de estudo na Internet. Os poucos estudantes que se aventuraram naqueles primeiros cursos perceberam que havia uma gama de novas possibilidades no "aprender a distância", como a interatividade, flexibilidade e mobilidade, fatores que, apesar de uma sedutora proposta, levaram mais de uma década para superar todo o preconceito e resistência da sociedade e das organizações reguladoras do ensino.

Hoje em dia, quase 40% das matrículas realizadas no ensino superior são em cursos a distância. Segundo o INEP (2017), este quantitativo cresceu a uma razão de 20% de 2015 para 2016, como mostra o gráfico a seguir.


Atualmente, a Educação Profissional está vivenciando um período muito semelhante àquele experimentado pelo Ensino Superior a Distância. Período em que os cursos técnicos em EaD terão de conquistar um novo público, descrente de que é possível aprender uma profissão e desenvolver competências e habilidades práticas, mesmo a distância.

O número de matrículas de alunos em cursos técnicos a distância ainda é pífio quando comparado com o número de matrículas em cursos presenciais. Onde está o erro? Por que as escolas técnicas e instituições de ensino superior não conseguem replicar o mesmo êxito que tiveram com o ensino superior no nível técnico? Para isto ainda não há respostas claras e precisas. Tudo o que podemos assegurar é que o jeito de se ensinar e aprender a distância é diferente nesses dois níveis de ensino.

Então como conseguir repetir o sucesso da EaD nesta nova modalidade educacional? A resposta está no passado recente da história da EaD: qualidade, qualidade e qualidade. Do mesmo jeito que os ambientes virtuais de aprendizagem e os conteúdos digitais passaram por progressos significativos nos últimos 15 anos, haveremos de descobrir maneiras de aplicar novas tecnologias como a realidade aumentada, entre outras, à aprendizagem profissional. Este é o paradigma a ser quebrado nos próximos cinco anos.

David Stephen
CEO da Telesapiens
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sábado, 20 de maio de 2017

Você conhece a Matriz Circular em "Carrossel"?

Fontes: www.kira-scrap.ru e outros

Seguramente, um dos maiores problemas enfrentados pelas instituições de ensino é a evasão escolar. Além de todos os problemas sociais acarretados, esse fenômeno se constitui em um dos fatores mais prejudiciais ao caixa das mantenedoras, uma vez que reduz sensivelmente o que chamamos de MSA (média de alunos em sala de aula). Alguns cursos como engenharias e ciência da computação estão entre os que mais sofrem deste mal, devido às altas taxas de reprovação em componentes curriculares como cálculo e algoritmos. Infelizmente, não poucas instituições têm tentado solucionar este problema com a abertura de torneiras, aprovando indevidamente alunos nessas disciplinas como um paliativo para a redução da evasão nas turmas. As consequências dessa conduta são nocivas à própria instituição, somente percebidas quando os alunos chegam ao ENADE ou ao próprio mercado de trabalho.

Foi neste cenário que a Telesapiens começou a desenvolver métodos alternativos para a redução da evasão, inicialmente nos cursos técnicos a distância, em 2007, quando conseguiu implantar a primeira matriz curricular circular, batizada carinhosamente de Matriz Circular em "Carrossel" (MCC). O objetivo dessa metodologia curricular era permitir o ingresso de novos alunos a partir de qualquer etapa do curso, fazendo com que a MSA aumentasse com o tempo, ao invés de diminuir. Curiosamente, passávamos a observar turmas com evasão negativa, ou seja, curvas ascendentes de lotação, invertendo a lógica deste fenômeno.

Mais tarde, esta mesma metodologia foi ampliada e testada em várias outras instituições. A última delas obteve resultados extraordinários, aplicando a MCC em seus cursos presenciais, tanto de nível técnico, quanto de graduação e pós-graduação. O MSA desta instituição era de apenas 8 alunos por sala nos cursos presenciais de graduação. De 2014 até 2017, conseguiu chegar a 18, com a projeção de alcançar uma MSA de 38 alunos por sala até 2019. E tudo isto sem considerar qualquer aumento de demanda, uma vez que os resultados dessa metodologia são puramente orgânicos. O princípio de funcionamento da MCC era bastante simples e se baseava no cumprimento das seguintes metas: 

1. Diluir os conteúdos considerados pré-requisitos dos cursos ao longo de todas as demais disciplinas, ainda que redundantes em alguns casos. Temas como fisiologia e anatomia nos cursos de saúde, por exemplo, são fragmentados em vários componentes curriculares, de modo que essas mesmas bases de conhecimento científico sejam exercitadas inúmeras vezes, de forma recontextualizada para cada disciplina. Com isto, o aluno consegue de fato apreender o conhecimento acerca de um tema que, até então, só era trabalhado de forma empírica e descontextualizada nas primeiras disciplinas do curso. Além da redução da evasão, o estabelecimento de ensino consegue oferecer uma efetiva construção de competências, com bases de conhecimento bem mais sólidas do que as obtidas nas matrizes curriculares sequenciais (MCS).

2. Para as disciplinas em que não se consegue fragmentar os conteúdos, a solução é reunir todos os componentes curriculares considerados pré-requisitos do curso em um único período, intitulado "pré-ciclo". Assim, os cursos passam a ser divididos não mais em períodos ou módulos, mas em ciclos. O pré-ciclo normalmente corresponde a menor parte, variando de 5% a 15% da carga horária total do curso. No caso das engenharias, disciplinas como cálculo, física e álgebra linear são vivenciadas no pré-ciclo, que uma vez concluído, permite a progressão do aluno para o ciclo seguinte, denominado "inter-ciclo".

3. E para os cursos que necessitam de componentes curriculares denominados terminativos, tais como: projeto final; trabalho de conclusão de curso; estágio integrador; e disciplinas preparatórias para exames de certificação como o Enade; a solução é adicionar mais um ciclo ao curso: o "pós-ciclo". Este último funciona como um período coletor dos pré-egressos, assegurando que todos eles tenham vivenciado o ciclo completo do curso até então.
Adaptado de www.kira-scrap-ru e outros

Mas, cuidado! Nem tudo são flores quando se trata da implantação de uma MCC. Existem efeitos colaterais relacionados ao ciclo de vida dos cursos e à folha de pagamento docente. Outros aspectos relacionados à política comercial também precisam ser afinados com essa nova metodologia, para garantir que a instituição de ensino consiga obter o máximo de proveito deste carrossel inovador.

A Telesapiens possui um equipe de consultores com mais de 10 anos de experiência nesta e em muitas outras metodologias inovadoras para o ensino em todos os níveis e modalidades da educação. Antes de construir a sua própria MCC, não custa nada chamar a gente para uma conversa. Isto pode representar um divisor de águas entre o sucesso e o fracasso desta implementação.


Por David Stephen
20/05/2017







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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Enfim surge um novo Brasil


Há sempre mais de um ângulo para se observar um mesmo fato. Os mais pessimistas veem tudo o que está acontecendo no cenário político e econômico brasileiro como uma hecatombe sem precedentes. Outros, como eu, veem um grande e profundo processo de transformação. Velhas máscaras estão caindo e, por trás dessas máscaras, exacerbam-se os rostos doentes de uma classe política há muito desacreditada. Quem em sã consciência não imaginava que todo esse cenário de roubalheira e sequestro do dinheiro público já não acontecia? Que novidade estamos vendo a nossa frente? Nada. Repito, nada além do que nossos pais e avós já preconizavam desde nossa infância. Qualquer um que se torna vereador, deputado ou mesmo empresário que consegue um bom relacionamento com o governo fica rico do dia para a noite. E o que é pior: "achávamos isso o máximo"! Agora sabemos exatamente como a verdade encoberta pelas velhas máscaras acontecia nos bastidores da política nojenta e egoísta deste nosso país.

Mas de quem é a culpa? Quem são os políticos e os empresários "bem-sucedidos" senão um reflexo de nós mesmos? São ou não são os admiráveis homens públicos e de negócios que cultivamos no inconsciente coletivo de toda uma geração? Será que as "lava-jatos" e "impeachments" irão pôr fim à essa geração da noite para o dia? Claro que não. Infelizmente levarão anos ou, talvez, décadas até que nossos netos cheguem ao cume de uma sociedade plenamente renovada. Mas é inegável reconhecer que estamos no caminho certo. Graças às redes sociais e ao estatuto do concurso público, que renovou o funcionalismo das instituições democráticas desse país, tudo isto está acontecendo a uma velocidade exponencialmente mais alta. Empresários e políticos na cadeia. Delações premiadas. Com tudo isso, não há mais lugar seguro para quem pensa em usar a máquina pública contra o povo. E o povo, por sua vez, começa a modificar os objetos de sua admiração, trocando os engravatados da política e dos negócios por juízes, promotores e policiais que ganham cada vez mais notoriedade perante ele.

É por isso, minhas amigas e meus amigos, que eu acredito em um novo Brasil. Aquele que sonhamos para nossos filhos e netos. Um Brasil onde o dinheiro entrará nos bolsos de quem realmente trabalha, com competência e honestidade. Um Brasil que acolhe seus filhos sem distinção, com oportunidades e direitos iguais para todos. Um Brasil onde o poder público possa ser respeitado, com políticos e instituições fortes. Um Brasil verdadeiramente democrático e justo. Que Deus ajude o nosso país nessa difícil transição.


por David Stephen
19/05/2017








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