quinta-feira, 5 de abril de 2018

Novo Ensino Médio, lançada a pedra fundamental

Fonte: MEC, 2018
Finalmente o MEC apresentou a segunda etapa do projeto da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).  Agora foi a vez do ensino médio, que, como já era esperado, apresenta a formação técnica e profissional como o quinto eixo formativo, ao lado das competências de linguagens, matemática, ciências da natureza e humanas.  Mas, diferentemente dos demais, o eixo da educação profissional será ofertado por meio de itinerários formativos. Em termos práticos, dependendo dos aspectos vocacionais do estudante, ele poderá escolher entre as várias áreas de formação profissional regulamentadas no catálogo nacional de cursos técnicos (CNCT), completando as 1.200 horas de carga horária estendida, de um total de 3.000 horas.

O gráfico acima deixa claro que, além da educação profissional, a escola poderá dispor de mais carga horária para ofertar outros quatro eixos, alinhados com os respectivos eixos da base obrigatória, a saber: linguagens, matemática, ciências da natureza e humanas. Neste período, os estabelecimentos de ensino poderão oferecer, por exemplo, educação empreendedora e financeira, formação jurídica, idiomas estrangeiros, entre outras áreas do saber.

A grande questão é: será que nossas escolas públicas estão equipadas e preparadas para ofertar este universo de opções formativas para nossos jovens? Haverá professores com formação específica que possam perpassar o ensino propedêutico e formar jovens profissionais? E quanto ao acervo bibliográfico, laboratórios específicos e outros aparatos envolvidos na geração de competências e habilidades técnicas? Essas são questões que ficarão para ser respondidas em meio ao processo de aplicação do novo BNCC, na prática. O mais importante é que, finalmente, o Brasil entrou no viaduto do desenvolvimento educacional, fincando pilares sólidos nas mesmas bases da Coreia do Sul, Chile e muitos outros países que, há pouco mais de três décadas, eram considerados "em desenvolvimento", e hoje apresentam IDH semelhante ao das nações mais desenvolvidas do planeta.

Que Deus ilumine nossa sociedade e seus políticos para conseguirem levar este projeto adiante. Afinal, isto é uma questão de sobrevivência para o Brasil que queremos ao longo do século 21.

Por David Stephen
4/abril/2018