domingo, 31 de agosto de 2008

A Internet nos deixa mais Inteligentes ou Burros?


A revista Super Interessante de Setembro de 2008 publicou uma reportagem bastante interessante acerca de uma polêmica que aquece as discussões entre pais, educadores e jovens: A Internet nos deixa mais estúpidos ou mais inteligentes?

Para o americano Mark Bauerlein é preciso tirar os jovens da rede para que possam ter mais tempo com os pais – e, assim, fiquem mais inteligentes. Em seu livro The Dumbest Generation (“A Geração Mais Burra”), Bauerlein diz que os jovens andam tão distraídos com MSN, celulares e Orkut que deixam de prestar atenção em assuntos importantes como história e política. Além disto Bauerlein diz que os jovens, enclausurados em seus casulos tecnológicos, só falam com pessoas da mesma idade, o que impede a troca de conhecimentos e experiências como pessoas mais velhas. Como se não bastasse este embotamento cerebral, os estudantes copiam e colam descaradamente trechos de textos da Internet, sem qualquer crítica ou geração de conhecimento: só informações desconexas e desordenadas.

Mas não é assim que pensa David Weinberger, um dos mais festejados filósofos da atualidade. Weinberger defende que não há nada de errado os jovens conversarem com outros jovens e que nunca foi tão fácil e democrático se obter informação como hoje. Antigamente, diz Weinberger, éramos limitados ao custo de produção e impressão das enciclopédias que limitavam a quantidade e, principalmente, a atualização das informações a que tínhamos acesso. Hoje, na Wikipédia, por exemplo, não há limites de custo na obtenção do conhecimento e a velocidade com a qual a informação é atualizada é sem precedentes. Segundo Weinberger, a forma desordenada e desconexa com que as informações se apresentam na Internet é um estímulo à articulação de nossas conexões neurológicas, tornando-nos mais inteligentes e capazes de absorver cada vez mais conhecimento. A dificuldade de obter informações antigamente estava apenas no trabalho braçal de se recortar e colar informações em papel. Hoje em dia este tempo perdido pode ser redirecionado a buscar cada vez mais informações. Mas a grande evolução da Internet mesmo está no relacionamento entre as pessoas. “Nós avançamos quando conversamos com pessoas com quem concordamos”, diz Weinberger. Hoje não somos limitados a velhos ciclos familiares e de amizade de nossa pequena cidade ou bairro. Podemos nos relacionar com pessoas de diferentes culturas e nações.

O QUE EU PENSO SOBRE ISTO:

Particularmente vejo aspectos importantes nos dois lados. Acredito muito na visão do Weinberger, mas acho que nossos educadores têm que se capacitar melhor para adaptarem suas práticas pedagógicas à esta nova realidade tecnológica. É perfeitamente possível checar se um aluno “colou” ou não um texto da Internet. É só colocar no Google e pesquisar a fonte. Além do mais os professores precisam debater conteúdos em sala, de forma presencial e interativa, para que as informações pesquisadas ganhem status de conhecimento.

Mas tenho que concordar com o Bauerlein em um ponto que julgo bastante relevante: temos que impor limites aos nossos jovens, sobretudo nossos filhos. Tempo para almoçar e jantar juntos. Tempo para jogar bola ou fazer atividade física, enfim, tempo para tudo, inclusive para estudar, conversar e brincar na Internet.

No que tange aos perigos que trazem as redes de relacionamento aos nossos filhos, minha recomendação aos pais é que entrem na rede. Criem seus Orkuts e adicionam seus filhos. Eu sei que é difícil quebrar este paradigma, mas pense por este ângulo: o que não somos capazes de fazer por nossos filhos? Eu, por exemplo, tenho meus dois filhos e minha esposa em meu Orkut. Troco constantemente informações com eles: fotos, vídeos e principalmente conversar, muita conversa. Dentro e fora da Web.

E você, o que pensa sobre isto?

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